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COMPULSÃO ALIMENTAR

Estudos comprovaram que a pandemia tem causado diversos impactos psicológicos negativos, além de repercutir nos índices de depressão, ansiedade e suicídio, o isolamento social repercutiu principalmente nas alterações emocionais, refletindo também no comportamento alimentar.

A compulsão alimentar se caracteriza por uma ingestão exagerada de alimentos em um curto espaço de tempo, acompanhada de sentimento de tristeza, culpa, vergonha, sensação de perda de controle sobre o que e quanto está ingerindo.

Essa repercussão na alimentação é proveniente de fatores como o estresse, preocupação e também ansiedade, no qual as pessoas tem passado a comer mais e/ou durante mais tempo.

A sensação de não estar no controle, o isolamento do ciclo social, a redução na prática de exercícios e até mesmo o nervosismo advindo do convívio com pessoas que moram juntas, são alguns possíveis influenciadores.

Nessas situações de estresse e ansiedade, é evidente ainda, a preferência por alimentos com mais açúcar e gordura, pois o nosso corpo para a liberar hormônios que estimulam o humor. Apesar do conforto de curto prazo, essa alta ingestão de alimentos não saudáveis traz implicações de longo prazo para nossa saúde, criando também um ciclo vicioso de ingestão de alimentos que causam certa sensação de conforto e altera respostas fisiológicas do nosso organismo.

A situação tende a intensificar já que a ingestão desses alimentos interfere no armazenamento de gordura corporal, modificando características físicas e consequentemente aspectos estéticos, ou seja, além da culpa já atribuída ao desejar esses alimentos há também impacto na autoestima e aumento de culpa.

Pode ainda ocorrer uma variação dos episódios de compulsão, variando de quadros mais leves aos mais severos.

Quando essa compulsão passa a ser muito recorrente, implicando na sua saúde física, na sua qualidade de vida e na sua funcionalidade, atrapalhando áreas da sua vida, ocorrendo em média, uma vez por semana durante três meses, é chamado de Transtorno de Compulsão Alimentar.

O Transtorno de Compulsão Alimentar, de acordo com o DSM V é caracterizado quando:

• Se ingere uma grande quantidade de alimentos em um curto espaço de tempo;

• Se tem a sensação de perda de controle, de que não consegue parar de comer e de controlar o que está comendo.

• Passa a comer de forma mais rápida, se sentindo estufado.

• Come grande quantidade quando não está fisicamente com fome.

• Passa a comer sozinho por vergonha do quanto está comendo.

• Passa a se sentir deprimido ou culpado após ingerir os alimentos, apresentando sofrimento devido a compulsão.

Existem diversos fatores que influenciam na manutenção da compulsão, como por exemplo as crenças sobre a comida e o ato de comer, é muito importante que você observe a relação que você estabelece com a comida. Crenças como “eu vou comer chocolate porque mereço”, “eu vou comer chocolate para ficar mais calmo(a)”, ou até mesmo “se eu comer eu vou engordar”. Assim como a escolha dos alimentos, a relação estabelecida com eles também precisa ser saudável.

É importante mencionar também que restrição alimentar é um grande complicador em potencial, ao realizar dietas muito severas durante um longo período há uma grande chance de vivenciar uma compulsão alimentar futura devido à perda de controle, além de causar alterações fisiológicas e psicológicas em nosso organismo.

No decorrer dos dias você pode estar utilizando técnicas comportamentais como dificultar o acesso aos alimentos que trazem a sensação de perda de controle; observar o quanto suas emoções tem influenciado seu comportamento alimentar, buscando alimentar-se de forma consciente e não emocional; questionar suas crenças relacionadas ao comer, como “eu realmente vou comer por que estou com fome?”; manter uma rotina de alimentação e também de sono; realizar atividades físicas e também meditação.

Para o tratamento do TCA é fundamental uma equipe de profissionais da área da saúde, como psicólogo, psiquiatra e nutricionista. A psicoterapia é recomendável para buscar compreender a relação com a comida, contribuindo na flexibilização de crenças, auxiliando na identificação e na mudança de fatores que estão por traz da compulsão considerando o contexto em que o paciente vive.

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